segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Borboletas, efeito borboleta... verdades, mentiras...amor...desamor...INCOMPLETUDES

“A maior riqueza do homem é a sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras me aceitam como sou – eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas,

Que olha o relógio, que compra pão às seis horas da tarde,

Que vai lá fora, que aponta lápis,

Que vê a uva, etc. etc.

Perdoai,

Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso renovar o homem

Usando borboletas.”

(Manoel de Barros)


Um ano de intensidades: dores, verdades, mentiras, amor, ódio, cismas, ciúmes, prazeres, risos, lágrimas, dança, bares, obsessões, paranóias... "amor de parceria". Tudo me aconteceu nesse período... me apaixonei, me enganei, me martirizei, me permitir arriscar, dei novas chances, acreditei, fui, voltei, desisti, me arrenpedi... vi, ouvi, senti... tudo, tudo... Mas ainda sigo na busca de mim e do amor... aonde vai? até quando vai? Não sei. "Só sei que nada sei". Vivo, sofro, sorrio, retomo, continuo, luto, amo, exagero, dramatizo, simplifico, eu TENTO... tudo muito intensamente porque é assim que sou: louca e intensa!

Só pra não perder o bom humor e a capacidade de rir das situações RIDÍCULAS, inusitadas e vergonhosas que minha inexperiência amorosa e insensatez romântica me colocaram durante este último ano, posto este samba aí abaixo porque ele me faz lembrar essa tragicomédia do amor... amor? sei lá... essa coisa q vivi...que ainda vivo... uma ressalva ao samba do fantástico Noel Rosa: mesmo um amor de parceria causa dor e prejuízo!
Amor de parceria
Saiba primeiro
Que fulana é minha amiga
E comigo ela nao briga,
Com ciume de você
Você provoca briga entre rivais
Para depois ver nos jornais,
Seu nome e seu clichê
Há muito tempo minha amiga me avisava
Que ela sempre conversava
Com você no seu jardim,
E começou nossa parceria
Eu fui por elaE ela foi por mim
Você pensou que fomos enganadas
Marcando encontro em horas alteradas
E nós fizemos a sua vontade
Dentro de aquela
"Escrita" eu e ela
Nao tivemos prejuizo na sociedade!
Quando você se atrasava uma hora
E fingia nao saber a razao dessa demora
E muita vez você perdeu a fala
Quando tava sem tostao e eu pedia bala!
Nós aturamos os seus modos irritantes
Mas filamos bons jantares
Nos melhores restaurantes
Você nao sai de nosso pensamento
Você foi negócio,
E foi divertimento.
(Noel Rosa)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Cachos, caracois... tudo enrolado

"Ela so me faz um cafun'e
E depois me olha com vontade
Sua casa é azul e verde
Cercada de grandes árvores
Nos segredos dela se aposta viu?
Nos cabelos dela não se toca ouviu?
Eles são de nuvem ou bombril?
Eles são ousados ou só seus?
Essa boneca tem manual? "
Vanessa da Mata
"Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante"
Caetano Veloso
ta tudo muito enrolado...
cabelo enrolado
tempo enrolado
emoçao enrolada
a vida embolada.
to cansada
quero nada
nao ha conto de fada
granada!
fico isolada
na noite desluarada
tudo me doi como uma facada
sim, estou enganada!
desenganada...
tenho de seguir acordada
os sonhos me cortam em navalhadas
folego, folego... vislumbro estrada
cambaleadas...
se cair, levanta!
moleza que nada
sou por mim forçada
'e longa minha caminhada
nao seja mimada!
pelo amor fui encantada
dilacerada!
nao da nada
sigo sem mamata
Força, meu Deus!
Nao apagues a luz de minha estrada.
Luana Euzebia

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Deixem ecoar a canção do ser!

A Canção dos Homens

Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a "canção da criança".
Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento do seu casamento, a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, assim como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".
Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então lhe cantam a canção.
A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo, é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção, já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a "tua canção" e a cantam quando a esqueces.
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso. (texto atribuído a Tolba Phanem disponível em http://www.usinadeletras.com.br/)

domingo, 16 de agosto de 2009

Porque a musica diz por mim...

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar.
(Gilberto Gil)

Davi e Golias, eu e os gigantes...

"Davi, porem disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada e com lança e com escudo; porem eu venho a ti em nome do Senhor dos exercitos, o Deus dos exercitos de Israel, a quem tens afrontado.
Hoje mesmo o Senhor te entregara na minha mao e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo as aves do ceu e as bestas da terra: e toda a terra sabera que ha Deus em Israel.
E sabera toda esta congregaçao que o Senhor salva, nao com espada nem com lança; porque o Senhor 'e a guerra, e ele vos entregara na nossa mao.
E Davi meteu a mao no alforje e tomou dali um pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe cravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra."
I Samuel 17:45-49

Minha Oraçao

Deus, hoje tudo se agranda em mim: o amor, o odio, a magoa, a raiva, a esperança, o desejo de mudança, o medo de seguir, a ansia pelo amanha, os fatos do passado, as revoltas do presente, a incerteza do futuro, a certeza de que o melhor e nao voltar atras, o nao-pertencer, a entrega incondicional, a dor das lembranças, a necessidade do esquecimento, as saudades que nao quero sentir, tudo esta muito grande, grandes Golias dentro de mim... Mas eu sei, Deus, que Tu es maior e que habitas em mim, portanto posso ser maior tambem. Hoje praguejei, amaldiçoei... meu espirito esta sanguinario e eu nao quero isso, eu nao quero a morte, nao quero o mal, mas, nao te posso negar, minha alma quer vingança pelos caminhos tortos que trilhei, pelo riso que dei, pela magoa plantada ca dentro de mim. Deus, eu nao quero mais sentir o que tenho sentido, nao quero odiar... se eu nao puder amar, quero perdoar, relembrar sem nada sofrer.
O Senhor, escolheu a Davi, tao pequeno, jovem e franzino, e o capacitou para derrotar o filisteu, da-me essa força tambem, Deus. Sei que Davi tinha um coraçao puro e um espirito reto e por isso Tu o amaste tanto e o fizeste rei de Israel. Hoje, Deus, nao tenho esta pureza nem essa retidao. Nao as tenho porque as dores e decepçoes minaram o solo que outrora fora fertil, minha inocencia e desejo de ser me levaram por caminhos tortos... livre arbitrio... nao ha outros culpados a nao ser eu mesma. Contudo, Pai, ja experimentei do Teu amor e sei que ele tudo sara, tudo reorganiza, tudo restaura... Teu amor ... o lugar onde preciso me esconder porque estou cansada e ja nao consigo fugir de mim mesma, de meus sentimentos. Quero o balsamo que cure chagas que de tao profundas contaminam meu espirito. Nao quero um espirito doente porque e por ele me ligo a Ti.
Ajuda-me, oh Deus. Quebre as maldiçoes que lancei e as que sofri. Sare as dores que causei e as que sinto. Da-me Tua mao e confirme em meu coraçao o Teu amor. Enxugue minhas lagrimas e cumpra em mim Tua palavra: que a alegria me venha ao amanhecer. De minha fraqueza atual, faz-me forte. Resplandeça em mim a Tua luz. Guia-me pelas veredas da justiça. Salva-me de mim mesma e dos Golias da vida.
Senhor, ensina-me a compreender-me, ensina-me a amar, ensina-me a felicidade, ensina-me o perdao.
Obrigada por inclinar Teus ouvidos as minha suplicas. Tu esquadrinhas o meu coraçao e sabes o mais oculto de minha alma, entao, Deus, Tu me amas infinitamente. Obrigada pela vida e pelas dificuldades. Obrigada pelas desilusoes, pelo desamor que sofri porque tudo isso me fez buscar-te e sei que a um coraçao contrito Tu nao podes resistir. Fortaleça-me e serei forte para viver!
Te peço muitas coisas, Deus. Mas amo-te nao pelo que fazes, mas sim pelo que Es.
Amem.

Luana Euzebia

QueiXa Xa Xa Xa!!!


Um amor assim violento

Quando torna-se mágoa

É o avesso de um sentimento

Oceano sem água

Ondas, desejo de vingança

Dessa desnatureza

Bateu forte sem esperança

Contra a tua dureza

Um amor assim delicado

Nenhum homem daria

Talvez tenha sido pecado

Apostar na alegria

Você pensa que eu tenho tudo

E vazio me deixa

Mas Deus não quer que eu fique mudo

E eu te grito esta queixa!

(Caetano Veloso)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


"Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver
Hoje eu não consigo mais lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem"
(Lulu Santos/Nelson Motta)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tenho muito a escrever ao mundo, tenho muito a dizer a mim mesma.
Iniciar esse processo me causa nauseas, me da medo. Meus sentimentos latejam em mim. Eles querem ser. As emoçoes ja nao querem a abstracao que a gramatica as confere. As emocoes querem ser. O sono ja nao me e tranquilo porque tudo me inquieta. Tudo em mim quer ser e quer mostrar que existe. Eu quero existir tambem e existir ´´e arduo, doi profundamente. Odeio a contradiçao quando nao concordo com o contraditorio que ha em mim. Convergencia!
Sei que ´´e na contradiçao que o ser mais se faz... ser contraditoria nao ´´e confortavel, exige coragem e quando dela preciso o medo se sobresai. O tudo em mim exige explicaçoes: por que esse blog? por que esse layout? por que a cor verde predomina aqui? por que eu fico? por que eu vou? por que eu volto? por que decido? por que nao mudo? por que? por que?
Nao quero explicar nada, eu posso tudo! E o tudo ´e de todos. Eu amo e odeio. Odeio o odio que me consome em ira, mas o odio as vezes me da animo e sempre me mata um pouco... o viver tem em si o morrer... Eu amo o caos. O caos organiza a desordem numa logica que o ser mais faz sentido. Sou caotica porque ouso viver e ser no meio caos. Aos poucos e a duras penas eu me construo com a alegria de saber que serei infinitamente incompleta porque serei eternamente.

Luana Euzebia
"Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei de partir


Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir"
(Chico Buarque)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Urgente, urgente, urgente: bombardeio!

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."


"Gosto dos venenos os mais lentos! As bebidas as mais fortes!Dos cafes mais amargos!E os delirios mais loucos.Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:E daí eu adoro voar!!!"

"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda."

"É difícil perder-se. É tão difícl que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo."

"E se me achar esquisita,respeite também.até eu fui
obrigada a me respeitar."

Clarice Lispector