Tenho pensado tantas coisas acerca do amor, de mim mesma, das relações, do universo... da vida que está aí pra ser vivida. Fazer autocríticas me é inevitável e urgente. Critico, também, os outros porque eu sou um pouco de todos que passaram por minha vida e que, não ocasionalmente, me deixaram algo de si, de suas atitudes, de suas próprias vidas. Tá certo que, em minha visão limitada e, por vezes, rancorosa e vingativa, eu desejei que alguns seres não tivessem cruzado meu caminho, mas até com esses eu tive de aprender muitas coisas e a aprendizagem é sempre válida. Enfim... passado o fim de semana reflexivo eu tenho me esforçado a combater sentimentos e desejos que possam contribuir negativamente na minha eterna busca de mim mesma, dos meus sonhos e do amor... ahhh o amor... tema recorrente em mim... Sobre isso tenho pensado mais ainda. Nascida com a primavera, tenho o desejo do desbrochar, do colorir, do idealizar, do embelezar, do amar... Regida pelo Ar, sou da expansão, do relacionar, do ir longe, do associar-se, do iludir-se, do amor romântico, da entrega total... Este ar que me alça a vôos lindos, ideais e românticos ora me abate sob a força da gravidade e... quanto mais alto o vôo pior é a queda... ora esse ar me arde em chamas quando alimenta o fogo do amor. Maiores são as queimaduras quando o amor é fingido, não correspondido, traído, menosprezado... Certamente há uma boa dose de drama em minhas divagações lógicas em si mesmas e para os que buscam saber o que é o amor para poder vivê-lo, mas há na vida dramas, comédias, ficções, aventuras, terror e suspense... ahhhh a vida é um belo suspense...
Nessa busca às vezes tranquila, às vezes inquieta e angustiante, muitas vezes feliz e triste e sempre surpreendente e fascinante, o amor revela-se a mim aos poucos, nas entrelinhas, nas reticências, nos extremos, na vida e na morte cotidianas e necessárias. Talvez ele nunca se revele totalmente porque muito de seu encanto está no mistério, no não dito, no não materializado, no eterno aprender... O amor está diluido no Ar, no perfume das flores que vem na primavera... Primavera que está chegando em poucos minutos e que floriu também no passado para tornar o nascimento de muitos mais belo e para dar a esses privilegiados a beleza das flores e também seus espinhos... eu tive tal privilégio há 28 anos atrás. Nem jardim mesopotâmico nem flor murcha em xaxim não regado, o amor revela-se como única possibilidade de vida, mas digo: de VIDA!!!!
Pouco ou quase nada eu saiba do amor, menos sei do Eros. Nessa minha corrida estabanada e afoita por conhecer, conviver e viver o amor, já me poupei de muita coisa ruim e me privei de prazeres ímpares... já vivi ilusões e já chorei decepções... mergulhei de cabeça em piscina vazia e nadei nas águas mais gostosas da coragem... em tudo aprendi. Fato é que minha inexperiência - sim! sou inexperiente na jogatina do amor por mais contraditório que isso pareça - e urgência em amar me trouxeram grandes dores... alguns risos verdadeiros, alguns suspiros e frios na barriga, orgasmos... muita dor de cabeça, noites mal dormidas, rugas... contudo, também me trouxeram maturidade e a certeza de que o lance é esse mesmo: prazeres e dissabores compõem o currículo do amor.
Se por um lado o amor, esse herói muleque e malandro, de sorriso gostoso, de dança fácil, da leveza e também por vezes algoz e capataz de nossas desilusões e sofrimentos, tenha me ensinado que o poder de (trans)formação, (re)invenção e conquista está dentro de nós impulsionado e fortalecido por ele mesmo, o amor, cá dentro da gente; por outro lado, o desamor, se mostra um câncer que se não tratado entra em metástase e nos destrói e mata da pior maneira. O analgésico do desamor tem de necessariamente ser o amor... o amor genuíno e incondicional... Nas crises de dores de desamor o amor de mãe, o amor divino, o amor que consta de nossa essência são a morfina que clama nossa alma. O amor materializado nas carícias, no abraço, nas palavras de ânimo, no olhar é quem nos traz o Ar de volta na asfixia do desamor. Na sustentabilidade do amor a vida e toda sua complexidade e contradição gera o caos, alimenta nosso impulso criativo e desejo de ser mais e põe diante de nós soluções possíveis para superação da crise instalada... Todos nós vivemos essa dinâmica processual da vida, do amar... e eu também sou todos...
O assunto é infinito e a aprendizagem eterna... eu tenho lidar com meus limites... Tenho de me torturar no repreender-me, no conter-me porque enquanto aprendiz do amar até a expressão do amor construído a duras penas e também tão incessantemente perseguido e desejado, até mesmo expressá-lo torna-se ameaçador... assustador... para os que também o desejam, mas não se permitem aprendê-lo.
Continuo pensando e sentindo tantas coisas...
Luana Euzébia
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
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