segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Amor... uma aprendizagem eterna

Tenho pensado tantas coisas acerca do amor, de mim mesma, das relações, do universo... da vida que está aí pra ser vivida. Fazer autocríticas me é inevitável e urgente. Critico, também, os outros porque eu sou um pouco de todos que passaram por minha vida e que, não ocasionalmente, me deixaram algo de si, de suas atitudes, de suas próprias vidas. Tá certo que, em minha visão limitada e, por vezes, rancorosa e vingativa, eu desejei que alguns seres não tivessem cruzado meu caminho, mas até com esses eu tive de aprender muitas coisas e a aprendizagem é sempre válida. Enfim... passado o fim de semana reflexivo eu tenho me esforçado a combater sentimentos e desejos que possam contribuir negativamente na minha eterna busca de mim mesma, dos meus sonhos e do amor... ahhh o amor... tema recorrente em mim... Sobre isso tenho pensado mais ainda. Nascida com a primavera, tenho o desejo do desbrochar, do colorir, do idealizar, do embelezar, do amar... Regida pelo Ar, sou da expansão, do relacionar, do ir longe, do associar-se, do iludir-se, do amor romântico, da entrega total... Este ar que me alça a vôos lindos, ideais e românticos ora me abate sob a força da gravidade e... quanto mais alto o vôo pior é a queda... ora esse ar me arde em chamas quando alimenta o fogo do amor. Maiores são as queimaduras quando o amor é fingido, não correspondido, traído, menosprezado... Certamente há uma boa dose de drama em minhas divagações lógicas em si mesmas e para os que buscam saber o que é o amor para poder vivê-lo, mas há na vida dramas, comédias, ficções, aventuras, terror e suspense... ahhhh a vida é um belo suspense...
Nessa busca às vezes tranquila, às vezes inquieta e angustiante, muitas vezes feliz e triste e sempre surpreendente e fascinante, o amor revela-se a mim aos poucos, nas entrelinhas, nas reticências, nos extremos, na vida e na morte cotidianas e necessárias. Talvez ele nunca se revele totalmente porque muito de seu encanto está no mistério, no não dito, no não materializado, no eterno aprender... O amor está diluido no Ar, no perfume das flores que vem na primavera... Primavera que está chegando em poucos minutos e que floriu também no passado para tornar o nascimento de muitos mais belo e para dar a esses privilegiados a beleza das flores e também seus espinhos... eu tive tal privilégio há 28 anos atrás. Nem jardim mesopotâmico nem flor murcha em xaxim não regado, o amor revela-se como única possibilidade de vida, mas digo: de VIDA!!!!
Pouco ou quase nada eu saiba do amor, menos sei do Eros. Nessa minha corrida estabanada e afoita por conhecer, conviver e viver o amor, já me poupei de muita coisa ruim e me privei de prazeres ímpares... já vivi ilusões e já chorei decepções... mergulhei de cabeça em piscina vazia e nadei nas águas mais gostosas da coragem... em tudo aprendi. Fato é que minha inexperiência - sim! sou inexperiente na jogatina do amor por mais contraditório que isso pareça - e urgência em amar me trouxeram grandes dores... alguns risos verdadeiros, alguns suspiros e frios na barriga, orgasmos... muita dor de cabeça, noites mal dormidas, rugas... contudo, também me trouxeram maturidade e a certeza de que o lance é esse mesmo: prazeres e dissabores compõem o currículo do amor.
Se por um lado o amor, esse herói muleque e malandro, de sorriso gostoso, de dança fácil, da leveza e também por vezes algoz e capataz de nossas desilusões e sofrimentos, tenha me ensinado que o poder de (trans)formação, (re)invenção e conquista está dentro de nós impulsionado e fortalecido por ele mesmo, o amor, cá dentro da gente; por outro lado, o desamor, se mostra um câncer que se não tratado entra em metástase e nos destrói e mata da pior maneira. O analgésico do desamor tem de necessariamente ser o amor... o amor genuíno e incondicional... Nas crises de dores de desamor o amor de mãe, o amor divino, o amor que consta de nossa essência são a morfina que clama nossa alma. O amor materializado nas carícias, no abraço, nas palavras de ânimo, no olhar é quem nos traz o Ar de volta na asfixia do desamor. Na sustentabilidade do amor a vida e toda sua complexidade e contradição gera o caos, alimenta nosso impulso criativo e desejo de ser mais e põe diante de nós soluções possíveis para superação da crise instalada... Todos nós vivemos essa dinâmica processual da vida, do amar... e eu também sou todos...
O assunto é infinito e a aprendizagem eterna... eu tenho lidar com meus limites... Tenho de me torturar no repreender-me, no conter-me porque enquanto aprendiz do amar até a expressão do amor construído a duras penas e também tão incessantemente perseguido e desejado, até mesmo expressá-lo torna-se ameaçador... assustador... para os que também o desejam, mas não se permitem aprendê-lo.
Continuo pensando e sentindo tantas coisas...

Luana Euzébia

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